Quem nunca se emocionou com a história de “Humphrey Borgart” no filme Casablanca. Pois bem, a magia desta história veio parar num lugar não menos mágico: Brasil - Minas Gerais - Ouro Preto – Mundo. Situada a uma altitude média de 1200 metros, de clima tropical úmido, em pleno “quadrilátero ferrífero”, Ouro Preto foi tombada pela Unesco em 1982, desde então é patrimônio histórico da humanidade. Sendo o Brasil, não somente o país onde plantando tudo se dá; mas, também o país onde tudo se acha. Possuímos uma das maiores reservas minerais do mundo. O fato de nos encontramos no quadrilátero ferrífero contribuiu e muito para que em 1876, Claude Henri Gorceix, fundasse a renomada Escola de Minas, que desde então, vem formando ótimos profissionais.

A origem do nome da casa foi inspirado no clássico “CASABLANCA”, sendo um dos símbolos da casa, quadros do referido filme. O interessante é que na república não existe nenhuma boate (ao contrário das demais repúblicas). Na placa original da república constava da seguinte inscrição: Boite Casablanca (Dia e Noite). Desde sua fundação é comum, encontrarmos pessoas (estudantes, turistas, nativos, etc.) dentro ou fora da casa perguntando: “Cadê a Boite?”

Situada na parte central de Ouro Preto, a Boite Casablanca, nasceu em algum lugar da Rua Getúlio Vargas e era uma república multidisciplinar, por abrigar estudantes da Escola de Minas, de Farmácia, Escola Técnica e dos Colégios Arquidiocesano e Alfredo Baeta. Eram então moradores: Célio Pessoa Magalhães de Coronel Fabriciano - MG; Rômulo Alves Carvalho de Ipatinga Luiz Fernando Bueno - “Maracá-; Afonso Vaz de Oliveira e Gilberto Manhães de Abreu. Porém, como a casa encontrava-se em péssimas condições de conservação, decidiram mudar.

Havia uma casa muito boa na ponte dos contos, mas a dona não queria alugar para estudantes. O “Tequila”, que trabalhava no Império da Pedras, um cômodo alugado debaixo do sobrado, se juntou a “moçada” e convenceu a senhora a alugar o tal sobrado. No segundo semestre de 1963 a República mudou-se para a Rua São José, 9. Juntaram-se à turma: Luiz Henrique Coelho (“Tequila”), Edmundo Magnus da Cruz Costa e Carlos Cruz Santos (“Caneco”). O “Tequila, assim, assegurou o fio condutor para a negociação do aluguel. Outra leva de estudantes se juntou ao grupo.

O processo de admissão na República era minucioso. A ideologia era o principal aspecto a analisar. Era necessário preservar a integridade física e ideológica dos Casablanquenhos. Em tempos de golpe militar e ditadura poderiam ser considerados subversivos se algum “dedo duro” ali se instalasse. Nesta época passaram pela República Júlio Maria Vaz, Carlos Vaz Fernando Gonçalves Coelho, Leonardo Abreu Coelho, Ely Evangelista dos Reis (D'Alembert), todos pernilongos; Ney Moreira Muylart (“Rasteira”) de Farmácia; João Bosco(músico imprescindível para o Brasil), Edson Rodrigues Garcia de Aquidauana – Ms; e Norton Simão Rocha (“Bode”), estes três cascudos, que tendo sido aprovados no vestibular de 1968, mudaram-se para repúblicas federais.

Numa noite de 1964 o sobrado da Rua São José, 9, estava em festa. Quatro amigos saem do refúgio para fazer serenata pelas ruas da eterna Vila Rica. “Tequila” e João tinham motivos de “sobra e insóbria” para comemorar: Era o primeiro ano de engenharia na Escola de Minas. Foi então que chegou um policial e pediu-lhes o alvará para fazer serenata. “E pra cantar precisa de alvará?” Foi a resposta de um dos amigos. E o guarda deu voz de prisão. E todos juntamente com o violão foram ver o sol nascer quadrado. Talvez o destino dos quatro rapazes não fosse mesmo a engenharia. Pelo menos, para João Bosco não foi. Certa vez confessou aos amigos republicanos: “Quando eu formar, o diploma será do meu pai”. João veio de Ponte Nova fazer Engenharia Civil, e aqui conheceu Carlos Scliar... que o levaram ao Rio de Janeiro nas férias, pra despontar seu talento. Conheceu Elis, Toquinho, Vinicius e outros. O resto da História não pertence a este livro.

A visão panorâmica é muito boa. De frente se vê a Igreja do Carmo, da sacada podem-se ver a Igreja das Mercês “de cima” e o prédio da Escola de Minas. No fundo a Igreja São José. Aproximadamente moraram na república uns cem (100) estudantes.

 

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